“Quem trabalha com tecnologia tem o privilégio de fazer parte da evolução humana e digital” observa Bruna Lucena, Gerente de Engenharia do Itaú Unibanco

Aprendiz por essência, desde os 15 anos já estava no Unibanco, me formando em um programa de aprendizado na área de TI. Mas a minha história com a tecnologia começou muito antes, ainda na minha infância, de um modo tão surpreendente quanto predestinado.

Conheci, com não mais do que 10 anos de idade, a Célia, funcionária que trabalhou no Unibanco e, sobretudo, minha vizinha. Ela se tornou uma amiga, conselheira e inspiração para mim, a filha do zelador do prédio que vivia passeando por aí. Nas mágicas tardes que passava em sua casa, descobri um aparato tecnológico inovador que aquela culta mulher possuía: uma máquina de escrever. Observava tão meticulosamente cada batida da ponta do dedo de Dona Célia nas teclas que nunca esquecerei aquela cena. Essa memória invoca um ar de confiança e caminho ao sucesso através da evolução tecnológica, representado por aquela ilustre figura feminina forte, sendo inegável que Célia foi minha primeira grande inspiração a ser o que hoje sou.

Ao longo do caminho, outros encontros foram despertando o interesse pela liderança feminina ainda na infância. Aos 10 anos minha madrinha, Ady, me levou para passar um dia em seu trabalho e eu vi aquelas mesas com computadores que já me despertavam um certo interesse por saber manusear. Simultaneamente à minha entrada no Ensino Médio, me deparei com o famoso jogo Counter-Strike (CS) e aprendi a baixar o console e mudar os parâmetros, analisando como simples configurações podiam influenciar drasticamente o meu desempenho. Em seguida, comecei a trabalhar informalmente em uma lan-house, o point da época para gamers, ajudando a montar redes, instalar softwares, etc., o que amplificou ainda mais meu interesse por games e tecnologia, diante de novas referências.

Querendo ou não, toda essa bagagem foi essencial para que se abrissem as portas do programa de aprendizado em TI. Aprendi tudo e mais um pouco lá, com ótimos mentores, me esforçando para conquistar algo que não veio de bandeja, visto que meus estudos se resumiram ao arroz com feijão de uma escola pública e minha família nunca chegou até a faculdade. Eventualmente, comecei a colher os frutos dessa dedicação incansável e consegui uma bolsa de 100% para bancar o curso de Sistemas de Informação, foi quando larguei a pulga na orelha do sonho de criança de fazer artes cênicas, aceitei o desafio e me joguei de vez no mundo da tecnologia. Fui efetivada na área de TI do Unibanco. Hoje posso dizer que, com certeza, tomei a decisão certa.

E que acerto foi esse. Quem trabalha com tecnologia tem o privilégio de fazer parte da evolução humana e digital, através da perspectiva comportamental e de criação de mecanismos práticos que transformam o relacionamento humano. O serviço de armazenamento de dados na “nuvem”, por exemplo, foi algo que revolucionou a vida de desde órgãos secretos do governo, até de pessoas comuns, como eu e você. Para aqueles na área da tecnologia, especialmente, foi um baita marco. Foi necessário mudar radicalmente todo o sistema de armazenamento de dados, agora sem um data center, o qual no Banco Itaú era o maior da América Latina. Isto posto, é evidente como a transformação deve estar também intrínseca no próprio profissional, o qual se propõe a um processo de aprendizado constante, capaz de se adaptar a mudanças abruptas.

No entanto, vale ressaltar que tal aprendizado constante não é equivalente ao de um robô. A carreira em tecnologia especificamente para mim não tem um lado negativo em si, mas, assim como em todas as outras profissões, estamos diante de uma cultura empresarial ultrapassada. Não é raro nos depararmos com pessoas que trabalham 20 horas seguidas, seja por não terem dias de folga, seja por estarem no meio de um projeto crítico. Tamanho abuso empresarial infelizmente ainda é comum, mas cabe a nós mudarmos culturas, estruturas organizacionais e movimentarmos o mercado com o que acreditamos

Não foi fácil chegar aqui, mas sempre tive em mente que a chave de sucesso nesse meio é estar sempre pronta para assumir novos desafios, não importa o quão difíceis pareçam ser. Se mantenha antenada e atualizada, ignorando somente aqueles típicos comentários a respeito do nosso gênero no diminuitivo, que todas estamos habituadas a receber. Felizmente, esse padrão está no caminho de uma ruptura, tornando-se cada vez menos recorrente o questionamento do nosso conhecimento, acentuado por aquele sutil vocativo: “mocinha”.

Mas, se ainda acontecer com você, não desanime! Sonhe alto, sem medo de querer demais. Independente da sua origem, de um passado maravilhoso ou sombrio, o que realmente faz a diferença é o destino que você traça para si mesma e o quanto de energia que deposita para alcançar seus sonhos. Isso só depende de você!

Para saber mais sobre Bruna Lucena, acesse seu LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/bruna-lucena-76812655/

Por Juliana Ribeiro