“A tecnologia está em constante evolução. Todos os dias temos algo novo a aprender e os desafios são contínuos”, conta Ana Claudia Abreu de Menezes, Coordenadora de TI do Grupo Fleury

Você já ouviu falar nas Páginas Amarelas? Aquela espécie de livro enorme com telefones e anúncios de empresas. Parece um outro mundo, não é?! Mas esse foi um dos meus primeiros empregos. Eu era diagramadora de anúncios publicitários e foi lá que conheci a área de Tecnologia e tive o despertar pela profissão.

Para mim, a escolha da carreira não foi uma tarefa fácil. É comum ter influência dos pais nesta fase, mas, no meu caso, minha mãe era uma enfermeira apaixonada pela saúde e este, definitivamente, não era meu dom.

Quando adolescente, fiz diversos testes vocacionais e participei de workshops com profissionais de diferentes áreas, porém as dúvidas eram muitas e achei melhor não arriscar uma faculdade. Então, ingressei no mercado de trabalho. Primeiro, como digitadora no Colégio Etapa, depois, fui para a páginas Amarelas, quando iniciei meu contato com a TI. Gostei tanto do assunto que decidi fazer um curso técnico de informática no Senac. E lá tive certeza de que a tecnologia era a minha vocação.

Aprendi a consertar computadores e configurar redes de dados e então comecei a atuar como free lancer, depois ministrei aulas em escolas de microinformática e posteriormente no Centro Paula Souza.  Depois de concluir o curso técnico, fiz o vestibular para Sistemas de Informação na Universidade Presbiteriana Mackenzie e comecei a trabalhar para um provedor de internet, o UOL. Depois, consegui o tão sonhado emprego na IBM e comecei atuando como analista de suporte técnico de TI.

Venho de família humilde e sempre precisei trabalhar para pagar a faculdade. Tive o apoio e incentivo da minha mãe, mas ela não conseguia me ajudar financeiramente. Todo o meu salário era dedicado a pagar a faculdade. Aprendi inglês sozinha (apenas com a base do colégio) e só consegui fazer curso em escola de idiomas com subsídio da empresa, que consegui por mérito de bom desempenho nas avaliações de performance.

Meu maior desafio no início de carreira foi o aprendizado tardio do inglês. Aprender outro idioma em um momento em que eu já estava fazendo faculdade e trabalhando foi muito difícil, mas eu sabia que era essencial para meu futuro.

Na IBM, desde o início me dediquei muito e fui promovida a líder de equipe logo após a minha efetivação e como já falava inglês atuei em contas globais e tive a oportunidade de fazer cursos de capacitação técnica nos Estados Unidos e Argentina.

Atuei como líder técnico do suporte especializado da Lenovo, participei de projetos globais de implantação da metodologia Lean, atuei como Service Delivery Manager naveguei por diversas estruturas de suporte na IBM chegando a ser ponto focal LA em um dos últimos clientes que atuei.

Sai da IBM em 2012 para atuar como coordenadora de TI no Grupo Fleury e hoje sou responsável pela gestão da área de suporte. Tenho uma equipe de 12 colaboradores diretos gerindo contratos com mais de 100 profissionais respondendo pelos serviços de suporte. Tenho sob responsabilidade um orçamento anual de cerca de 30 milhões.

Atualmente, meu maior desafio é conciliar a família com a vida profissional. Depois que você casa e tem filhos, você não consegue mais se dedicar 100% como antes. Mas acho o ambiente de TI muito colaborativo e tenho apoio. As minhas 2 gestações foram marcadas por muito carinho da equipe. Fui cercada de mimos, cuidados e compreensão. As gestações foram ótimas, porém meu estado físico e emocional passou por muitas mudanças. No início eu tive muito sono durante o dia e, no final, tive inchaço nas pernas. No retorno ao trabalho, estava com raciocínio mais lento e as pessoas foram compreensivas e curtiram o momento comigo.

A carreira de TI é prazerosa e recompensadora, mas temos que aprender a lidar com problemas todos os dias, portanto é necessário ter inteligência emocional. A evolução e transformação é exponencial e muitas vezes quando dominamos uma tecnologia ela já está obsoleta.

Nesta profissão, a capacitação é fundamental. Não adianta “gostar de mexer com computador”, é necessário ter qualificação. A formação acadêmica é essencial e irá construir a sua base profissional. O domínio do idioma inglês vai abrir portas e auxiliar a alavancar sua carreira.

Durante toda minha trajetória, fui inspirada por mulheres e fico feliz em seguir esse ciclo de influência. Meu conselho para as jovens que querem ingressar em Tecnologia é:

  • Estudem, tenham sede pelo saber, seja autodidata – a área de tecnologia está em constante transformação e evolução e o estudo contínuo é essencial. Existem muitos cursos gratuitos disponíveis para vocês.
  • Sejam proativas e tenham empatia – são habilidades importantes para qualquer profissional e quem as tem se destacam na área de tecnologia.
  • Não olhem para as circunstâncias, foque na solução e no seu objetivo, tenha certeza do potencial que há em você. Você é capaz.

Linkedin da Claudia: https://www.linkedin.com/in/ana-claudia-abreu-de-menezes-a225163b/