“Lidamos mais com pessoas do que com tecnologia e essa é a parte encantadora da profissão”, conta Samantha Martins, diretora de tecnologia da Iguatemi

Meu pai é economista por formação, mas, depois que eu nasci, ele descobriu a Tecnologia. Então, imagina. Eu convivi com computadores desde muito cedo, numa época que eram raros PCs em casa. Sempre me encantei por esse universo e todas as suas possibilidades.

Na época do vestibular, apliquei e passei em dois cursos. Cursava Economia na UFRJ e Análise de Sistemas na PUC/Rio. No primeiro ano de faculdade fui convidada por um professor da PUC para trabalhar com ele em uma Consultoria de Automação Industrial e lá fui eu.

Era a primeira funcionária da área de TI. Todos os demais consultores eram engenheiros, dedicados a construir lógica para sensores e atuadores de Linha de Produção em CLPs (Computador Lógico Programável). Meu papel era trabalhar os dados que podíamos extrair das Linhas de Produção. Assim, atuei em projetos de empresas como Brahma, CSN, White Martins, Natura, Souza Cruz.

Me identifiquei desde cedo com o trabalho de consultoria – conhecendo business diferentes a cada projeto, entendendo as suas dores e precisando criar uma solução nova. Por causa do trabalho, não consegui conciliar a faculdade de Economia e abandonei o curso depois de dois anos. Até porque já sabia que era Tecnologia o caminho que eu gostaria de trilhar.

Diferente dos dias de hoje, quando comecei não era fácil complementar conhecimento e desbravar áreas novas. Os cursos disponíveis eram normalmente longos e caros, e os livros eram muito técnicos. Também não havia networking. Por ser a única consultora de TI, não tinha com quem trocar informações. Muitas vezes tive que recorrer aos meus professores da PUC para me aprofundar em Dados, Automação e novas tecnologias.

Sempre gostei de trabalhar mais com as áreas relacionadas ao desenho das soluções, e menos com as áreas de operação. Numa determinada fase da minha carreira, passei a sentir falta de continuidade nas consultorias, então migrei para o outro lado da mesa e virei cliente. E aí, os maiores desafios passaram a ser a dinâmica corporativa, a cultura da empresa, ou a atitude do time de tecnologia.

Se tem uma palavra que define essa carreira é Possibilidades. Ela tem tantos universos que é possível se reinventar diversas vezes. Também porque você pode olhar para um problema de negócio e traçar várias soluções possíveis com recursos diferentes. Sem falar que não existe possibilidade de resolver os problemas complexos que a humanidade tem hoje sem o uso da tecnologia.

Por outro lado, acredito que por muitos anos a área de tecnologia foi vista como centro de custo nas empresas e, como tal, tinha que buscar eficiência máxima para reduzir orçamento. Além disso, ou talvez por causa disso, as equipes de tecnologia foram ficando reativas. Ainda vejo uma separação – ou um conflito – entre TI e as demais áreas, impactando iniciativas de negócio, fomento de inovação, e adicionando complexidade à transformação digital dessas empresas. 

Para mim, a tecnologia é desafiadora, estimulante, e muito enriquecedora. Essa profissão me abriu muitas portas e janelas, adquiri jogo de cintura, olhar de floresta, habilidade de comunicação, negociação e influência. Lidamos muito mais com pessoas do que com tecnologia e, no final do dia, essa é a parte encantadora da profissão.  

Recentemente eu contratei dois autistas para minha equipe na Iguatemi. Meu maior objetivo era ajudar a incluí-los, mas a verdade é que eles resgataram minha equipe. Além de suas habilidades técnicas, são dois rapazes muito especiais, que foram adotados por todos, e ajudaram a criar uma equipe muito mais colaborativa, integrada e humana.

Para as meninas que querem seguir carreira em tecnologia, o meu conselho é: se joguem! Corram atrás dos seus sonhos. E podem contar comigo!

Para saber mais sobre Samantha Martins, veja seu LinkedIn:

https://www.linkedin.com/in/samanthalmartins/