“A gente pode ter família e carreira. Não precisa trocar um sonho pelo outro”, diz Andrea Fodor, diretora de vendas da Cisco do Brasil

Eu nasci no dia 6 de junho de 1972. Completei 48 anos em 2020 e tenho mais de 30 anos de mercado. Comecei muito cedo. Aos 17 anos eu fui trabalhar como estagiária na IBM. Lembro que meu pai teve que assinar meu contrato porque eu não tinha idade suficiente. Neste tempo todo, acumulei uma série de aprendizados e desafios e nunca parei. Até hoje estou aprendendo.

Desde criança eu já gostava de fazer contas. Na escola, ganhei a Olimpíada de Matemática e, em casa, sempre ajudava meu pai a consertar eletrônicos. Tudo isso acabou me levando a fazer o colegial na Escola Técnica Estadual Lauro Gomes em São Bernardo do Campo. Depois, cursei engenharia elétrica pela Faculdade de Engenharia de São Paulo.

Como disse, aos 17 anos já trabalhava na IBM. Depois do estágio, fui contratada como técnica de campo. Eu trabalhava com impressoras e equipamentos de grande porte. Eu lembro que quando eu ia atender um chamado, os clientes me olhavam com aquela cara: “Será que ela vai aguentar segurar a peça?” Naquela época, a profissão era ainda mais masculinizada do que é hoje.

Desde cedo, você precisa aprender a conquistar o seu espaço e quebrar as barreiras. É claro que para ganhar respeito a mulher às vezes tem que dar o dobro de si. Mas, olhando para trás, eu vejo que sempre fui muito respeitada pelo conhecimento que tinha. O estudo na área de tecnologia dá um embasamento muito bom do ponto de vista do raciocínio lógico e da resolução de problemas. É um conhecimento que você pode usar em qualquer área. Sempre digo que um engenheiro pode ser um administrador, trabalhar em banco e uma série de outras possibilidades.

Para mim, a palavra que define esta profissão é oportunidade. Hoje, tudo gira em torno da tecnologia e a gente não faz nada sem apertar um botão. Existem muitas possibilidades de pensar fora da caixa e inovar, mas é preciso estar sempre antenada com o que acontece no mundo.

O lado negativo é que ainda hoje é uma carreira masculinizada. No meu time, por exemplo, só tem engenheiros homens e gostaria muito de ter uma mulher na equipe, porque a diversidade traz pontos de vista diferentes.

Para as meninas que querem seguir esse sonho, eu diria que se motivem e não se assustem com as exigências da profissão. Você precisará estar sempre atualizada e colocar em prática seus conhecimentos. Mas tem muito espaço para mulher explorar e se posicionar. Enxergo que até pela capacidade cognitiva de fazer várias tarefas ao mesmo tempo e solucionar problemas, a tecnologia é uma carreira que combina com a mulher. Por isso, precisamos popularizá-la ainda mais, sem achar que a profissão pode atrapalhar a vida pessoal.

Eu, por exemplo, me casei muito cedo. Tinha apenas 24 anos e fiquei grávida aos 27. Na época, era gerente de suporte de uma multinacional e tinha que estar sempre à disposição. Eu me lembro que, na virada do ano 2000, estava com aquele barrigão de plantão no escritório ceiando junto com os meus funcionários. Meu filho nasceu e eu toquei minha carreira tranquilamente. Muitas vezes, levei ele ainda pequeno para o escritório, mas nada disso foi empecilho. Hoje, o Bruno já tem 20 anos.

Quando eu engravidei da Maria Fernanda, eu já trabalhava na Cisco há 3 anos. Estava em vias de fechar um grande projeto que consegui terminar antes dela nascer. Fiquei de licença por seis meses e, quando voltei, fui promovida.

Esses fatos mostram que a gente não precisa postergar os nossos sonhos para seguir nossas carreiras. É possível sim conciliar a vida pessoal com a profissional. Eu nunca perdi nenhuma oportunidade por conta dos meus filhos. Por isso, digo: nunca troque um sonho pelo outro. Dá para abraçar os dois e saber dosar a intensidade de cada um no momento certo

Atualmente, eu trabalho na área comercial da Cisco como diretora de Vendas da Enterprise, responsável pela carteira de grandes empresas. Em 2019, nosso trabalho atingiu 200% da meta de receita, o que colaborou para que eu ganhasse em 2020 o prêmio de executiva de destaque de vendas da IT Mídia, um feito inédito para a companhia.

Isso mostra que, independentemente de ser mulher ou homem, é a nossa capacidade de aprender que nos diferencia. Eu acredito demais que a gente tem que evoluir sempre. Por isso, mesmo com faculdade e duas pós-graduações, eu continuo querendo aprender. Meu sonho agora é fazer um MBA numa universidade norte-americana. Para isso, estou aproveitando a quarentena para estudar inglês. Vejo minha filha com 6 anos me perguntando por que eu estudo tanto, mas percebo que ela fica orgulhosa. Não podemos ter vergonha nem preguiça. Nunca é tarde para correr atrás de um sonho. Essa é a minha principal mensagem.

Para saber mais sobre Andrea Fodor, veja seu LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/andrea-fodor-00b1636/