“Procurem suporte. Há muitos cursos online, eventos e fóruns sobre tecnologia, se conectem com pessoas que possam te ajudar na carreira”, sugere Denise Marconi, líder da Consultoria de tecnologia na América do Sul na EY

Nunca tive muito contato com tecnologia, na minha família não tinha ninguém dessa área. Mas, na escola, eu sempre gostei de Matemática e História. Ao escolher um curso superior, optei por fazer Ciências Econômicas. Sou de Piracicaba e fiz faculdade em Araraquara, no interior de São Paulo.
No último semestre, participei de algumas feiras de emprego e gostei muito das conversas que tive nos stands da PriceWaterhouse e da Arthur Andersen sobre a carreira de consultoria.

Quando me formei, em 1993, o caminho natural era trabalhar na área financeira e eu passei no processo de seleção para ser trainee no Banco Real. No início de 1994, me mudei para a cidade de São Paulo. Quando estava acabando o programa de trainee, percebi que meu sonho não era esse, então enviei meu currículo para aquelas duas empresas de consultoria que havia conhecido na época da faculdade.
Passei no programa da PW e, apesar de voltar a ser trainee, tinha certeza que era essa a carreira que eu queria. Em 1995 entrei na consultoria e fui alocada na área que fazia implementações de softwares financeiros. Ali começou minha história de paixão com a tecnologia. O que mais me atraiu foi ver o resultado prático da transformação nas empresas.

O maior desafio no início da minha carreira foi aprender sobre tecnologia, visto que eu vinha de um curso de Economia. Eu conhecia muito pouco e tive que aprender tudo rapidamente. Fiz isso na prática, no dia a dia dos projetos.

Em 1997, fui para os EUA fazer treinamento em SAP. Após o curso, fiquei 5 meses em um projeto na Califórnia. Foi uma experiência muito rica, já que trabalhava com pessoas de diferentes culturas. Por outro lado, tive o desafio pessoal de ficar longe de meu namorado (hoje, marido). Naquela época, as ligações eram muito caras. Não tinha whatsapp, facetime, todas essas tecnologias que temos hoje.

Ao longo de toda a carreira tive inúmeras outras oportunidades de crescimento, entre elas, conhecer novas tecnologias e me integrar com diferentes culturas. Em 2004, assumi um papel de gestão de um dos maiores projetos de implementação de SAP no mundo. Tive que viajar algumas vezes para fora do país quando meus filhos ainda eram muito pequenos. Meu primeiro filho, Felipe, tinha cinco anos, e minha filha Mariana, apenas 3.

Em 2006 assumi a liderança de SAP para América Latina, agora na IBM GBS, onde interagi com diversos líderes da região. Nesse papel também tive a oportunidade de atuar com outras linhas de serviço. Em 2011 recebi o convite da PwC (antiga PW) para retornar à empresa e assumir a prática de Enterprise Applications, que estava começando a ser reconstruída. Ao longo de quase 8 anos, ajudei a estruturar práticas e times, abrangendo diferentes tecnologias e especialidades.

Em 2019 assumi um novo desafio profissional, aceitando o convite da EY para assumir a liderança da área de consultoria de Tecnologia para a América do Sul.
Como vocês podem ver, minha carreira sempre foi cheia de desafios e descobertas.

Acredito que a tecnologia é a grande viabilizadora das transformações, dos negócios, das empresas e da vida das pessoas.

Imagine o momento que estamos vivendo sem a tecnologia? Ela permite que trabalhemos remotamente, que as pessoas se conectem e se falem de uma forma mais humanizada, que consigamos nos consultar com médicos pelo celular, que as pessoas não precisem ir ao banco, ao supermercado, às farmácias, que novos negócios estejam surgindo por meio de plataformas digitais. Enfim, nunca vimos tantos exemplos de como a tecnologia viabiliza a transformação.

Como consultora em tecnologia, vivencio a aplicação dessa transformação nas empresas na prática, além de trabalhar com times e formar pessoas. É uma profissão muito gratificante em que estamos sempre aprendendo, mas que também exige muita dedicação e comprometimento. Temos que estar sempre atualizados e às vezes trabalhar em horários alternativos.

Quando falamos de mulheres em tecnologia, ainda existem alguns mitos, como por exemplo, de que em função de ter que em alguns momentos trabalhar em horários alternativos, essa é uma carreira que “não é para mulher”. Precisamos quebrar esses mitos. A carreira em tecnologia é para mulher sim!

Se você gosta de tecnologia, corra atrás desse objetivo. Para as meninas que querem ter filhos, é importante ressaltar que isso não é um obstáculo para se ter uma carreira de sucesso. Uma das minhas promoções, por exemplo, aconteceu quando eu estava em licença maternidade e isso para mim foi muito marcante.

É possível ser profissional de tecnologia, mãe e esposa! Aprendi desde cedo com a minha mãe que o fundamental é a qualidade de tempo que você dedica aos seus filhos e não a quantidade. Cada profissional vai encontrar o seu equilíbrio ideal na vida. O importante é ser feliz na profissão que escolher.

Para saber mais sobre Denise Marconi, veja seu LinkedIn:
https://www.linkedin.com/in/denise-marconi-768535/