“Eu sou um exemplo real de que é possível alcançar nossos sonhos”, afirma Ana Lucia Trindade Ferraz Armelin, diretora da BTG Pactual

Eu sempre tive muita facilidade, interesse e um ótimo desempenho em matérias de exatas, tanto Matemática, quanto Física e Química. Em casa, meu pai sempre foi um entusiasta da tecnologia e comprou os primeiros modelos de computadores pessoais lançados no Brasil. Ele me incentivava a aprender e me mostrava o potencial e as perspectivas que as novas tecnologias traziam para a vida pessoal e profissional.

Optei por fazer Engenharia Elétrica na Escola Politécnica da USP porque tive acesso a pessoas que estudaram lá e reforçaram a minha visão de que esta seria ótima porta de entrada para empresas líderes de vários setores da economia.

Minha família também me apoiou muito nesta escolha. Meus pais mostraram claramente a importância de eu ter uma formação forte em universidades de ponta. Desde o início do curso, tive contato com as tecnologias disponíveis e as previsões de como elas evoluiriam e trariam novas formas de comunicação e de organização do trabalho.

Com 19 anos, comecei a trabalhar em uma grande empresa multinacional de produção de equipamentos elétricos e eletrônicos para diferentes indústrias. Como eu entrei em um processo preparado para estagiários de engenharia, tive a oportunidade de trabalhar em diferentes áreas da empresa. Nesta época, a corporação estava passando pela implantação de um ERP e eu participei desse processo na área de Compras. Pude vivenciar quão profunda foi a mudança em produtividade e em como o dia-a-dia das pessoas ficou mais ágil e mais leve, com menos atividades isoladas de planejamento e controle. Foi uma experiência fascinante, com o desafio técnico de aplicar os meus conhecimentos e, ao mesmo tempo, entender o funcionamento de uma empresa como um todo.

Entre os maiores desafios, além da aplicação concreta da engenharia, tive que desenvolver habilidades como a minha exposição pessoal, fazer apresentações em público, conduzir reuniões, com pessoas muito mais experientes do que eu. Tudo isto, em um ambiente totalmente masculino, em que ser mulher chamava a atenção de todos.

Mas quando a mulher está preparada e com determinação para se desenvolver e crescer, as competências são iguais porque a capacidade analítica e de resolver problemas existe para todos os gêneros.

O fato de o ambiente ser predominantemente masculino traz desafios específicos para mulheres como conversas e brincadeiras que muitas vezes são menos interessantes para nós. E percebo que o desenvolvimento dos relacionamentos pessoais, extratrabalho são fundamentais para todas as carreiras.

Ao mesmo tempo, acredito que os aspectos positivos são maiores e mais fortes do que os negativos. Isto é o que sempre me motivou muito: a diversidade de aplicações e desdobramentos que a formação mais técnica nos permite. Atualmente, vemos que a tecnologia é um assunto estratégico, que viabiliza novos negócios, novas formas de produção e de fornecimento de serviços.

A carreira em tecnologia permite flexibilidade, diversidade de perspectivas, profundidade na resolução de problemas, raciocínio logico que pode ser aplicado em diversas funções e atividades. Mas para isso é preciso ter atualização constante, necessidade de trabalhar longas horas e com muita pressão. O ambiente também é muitas vezes competitivo e bastante agressivo.

Mas eu incentivo muito as meninas a seguirem a carreira em tecnologia, dando meu exemplo pessoal de que vale a pena a dedicação e a superação dos desafios, porque certamente terão grandes oportunidades de desenvolvimento e de serem autossuficientes financeiramente.

Acredito que as conquistas pessoais, como mulher e como profissional, sejam experiências que devem ajudar a inspirar e encantar outras meninas. O fato de ser engenheira, trabalhar em setores predominantemente masculinos e ter conseguido alcançar os objetivos que me propus, é um incentivo. Sendo que, ao mesmo tempo, estou casada há mais de 20 anos e tenho 2 filhos gêmeos de 11 anos. Eu sou um exemplo real, em carne e osso, de que é possível, de que não é um sonho irreal ou um sonho apenas para meninos.

Para saber mais sobre a Ana Lucia Trindade Ferraz Armlein, Diretora de Gestão de Portfólios Estratégicos e Governança no BTG Pactual, veja seu Linkedin: https://www.linkedin.com/in/aferraz/