“Acredite no seu potencial, faça algo que tenha paixão e o sucesso é certo”, aconselha Juliana Begnami, arquiteta de solução da Microsoft

Eu sou de uma cidade do interior de São Paulo chamada Leme. Na minha adolescência, havia pouquíssimas opções de universidade, diversão, lazer, compras e eu queria sair de lá, expandir meus horizontes.

Tinha um tio meu bem sucedido formado em Matemática Aplicada e ele dizia que faltavam profissionais no mercado. Eu, que já gostava de exatas, me interessei pela área. Este tio ajudou muito eu e minha irmã mais velha e nos encaminhou para o primeiro emprego: fomos trabalhar com ele em uma empresa que desenvolvia soluções de trânsito.

Este primeiro trabalho foi ótimo, mas a empresa foi vendida para um grupo maior de Belo Horizonte, então, eu comecei a procurar outro emprego. Estava no 2º ano de faculdade, pouco conhecimento e maturidade em desenvolvimento de software o que sempre me deixava em desvantagem nos testes.

Houve uma empresa que me identifiquei demais e resolvi estudar arduamente para passar na prova. Lembro de ter virado duas noites estudando e consegui acertar 80% de uma prova de codificação que a empresa aplicava. E fui chamada!

A carreira em tecnologia sempre foi extremamente recompensadora. Entregar uma solução que gera valor para o cliente ou sugerir algo para mudar de um processo manual para digital e o cliente te agradecer por ver que o tempo pode ser melhor aproveitado é muito bom.

Mas também isso te cobra um desafio de atualização constante. Para ter diferencial competitivo, tanto dentro das empresas quanto para o mercado, é preciso ler muito, saber das notícias, entender o momento dos negócios para poder falar não de tecnologia, mas sim de solução – o que faz toda a diferença!

Para mim, a palavra que define a carreira é Disrupção, porque traz a possibilidade de sempre estar no movimento de inovação e eu adoro pois não gosto de rotina e nem de nada que seja fixo.

O mercado ainda é masculino. As mulheres têm o desafio de entrar, depois a necessidade de se provar e aí então ocupam seu espaço. Muitas mulheres ainda não reconhecem seu potencial e acabando por aceitar espaços de menor exposição, mas isso vem mudando.

Certa vez ouvi de um colega, homem, respondendo a outro: “Mulher quando engravida avisa que vai tirar licença e isso nos permite planejar. Homem, quando vai jogar bola e rompe o ligamento do joelho, fica 3 meses afastado sem ter dado tempo para planejar. Portanto, prefiro me planejar com mulheres”. Isso me fez refletir muito e acreditar mais em mim.

Durante aproximadamente 6 anos eu trabalhei com uma solução puramente focada em Engenheiros – ambiente totalmente masculino. Cheguei a fazer apresentações para auditórios com cerca de 50 homens. E estava linda, de batom e muito charmosa. O que me respaldava? Conhecia muito do que estava falando e já nas primeiras frases procurava conquistar o respeito de todos.

Para as meninas que queiram seguir carreira em tecnologia, eu digo “Acredite no seu potencial! Faça algo que você tenha paixão e o resultado é certo: sucesso!”

Em toda a sua vida profissional, esteja sempre de bem com a vida e com todos ao seu redor, pois o mundo dá voltas. Cultive relacionamento, amizade e sorrisos. Você pode até perder um negócio, mas nunca um amigo ou contato. Aprendi com um grande líder para o qual trabalhei: “Primeiro você se vende, depois você vende a sua empresa e por último o seu produto”. Valores são a base de tudo.

Nunca se esqueça de agradecer, conforme sua crença, pelas oportunidades que a vida nos traz. Agarre todas. Sempre tive a mente tranquila para entender o momento em que eu estava, tirar o melhor dele e seguir em frente.

Nos meus últimos três empregos, eu não precisei me candidatar. As empresas me encontraram e convidaram para estar com elas. Mas eu sempre procurei me atualizar e estar perto de pessoas com as quais eu poderia aprender. A trajetória me mostrou que nada é por acaso e tudo vem devido a um propósito, seja para trazer um aprendizado ou uma oportunidade.

Eu fui contratada grávida no meu emprego atual. Sim, a minha empresa é fantástica, meu chefe (homem) naquele momento acreditou no meu potencial após conhecer e ouvir relatos dos meus trabalhos. Por outro lado, eu carrego o compromisso de retribuir o que a empresa fez e faz por mim.

 

Para saber mais sobre a Juliana Begnami, veja seu LinkedIn:

linkedin.com/in/juliana-begnami-49727a