“A palavra que define a minha carreira é missão. Poder cuidar das pessoas a partir da tecnologia”, diz Lilian Quintal Hoffmann, diretora executiva de tecnologia e operações da Beneficência Portuguesa

Eu sempre gostei de matemática, de processos e da questão da lógica. Meu desejo inicial era fazer engenharia (na época não se falava em tecnologia), mas minha família tinha poucos recursos financeiros, então, a minha opção de carreira dependia de uma escola pública.

Quando eu estava no terceiro colegial, tive medo de não conseguir entrar na Escola Politécnica da USP. Eu precisava estudar em uma universidade pública, porque não tinha como pagar faculdade particular. Então, eu descobri que enfermagem era um curso menos exigido para ser aprovada e fiz o vestibular.

Consegui entrar na USP na Escola de Enfermagem. Quando estava no terceiro ano, apliquei para uma vaga de estagiária no hospital alemão Oswaldo Cruz.

Na mesma época, eles estavam em processo de implantação do sistema de informática. E eu pensei que poderia trabalhar lá unindo essas duas áreas: saúde e tecnologia.

Eu gostava de ver como a lógica era capaz de automatizar processos e fazer as coisas funcionarem em uma velocidade diferente. Aí fui trabalhar no Centro de Processamento de Dados do hospital e comecei ali minha sonhada carreira em tecnologia.

Fiquei 22 anos no hospital Oswaldo Cruz, fui para a Rede D’Or São Luiz e em 2013 comecei na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, onde cuido, além de TI, da área de engenharia logística, obras e manutenção.

Nesses mais de 30 anos de carreira, eu já vivi muitos desafios por ser mulher. O primeiro deles foi quando me convidaram para assumir o Centro de Processamento de Dados. No mesmo dia, um dos analistas pediu demissão porque não queria ser chefiado por uma mulher.

 

Para nós, mulheres, a carreira de tecnologia ainda é um desafio. Ao assumirmos posições de liderança, então, precisamos abrir portas que ainda estão fechadas. O ambiente ainda é muito masculino.

Eu acredito que precisamos sim ter um movimento para atrair o público feminino para a tecnologia. Essa diversidade cria times que entregam soluções mais criativas.

Para as meninas que quiserem seguir esse caminho, abracem a carreira que traz retorno e compensação profissional, mas também exige muita dedicação. Se você não conseguir equilibrar, sua vida pessoal vai ter desgaste.

Ao mesmo tempo, saiba que você poderá impactar muitas pessoas por meio da automação. A tecnologia tem a prerrogativa de ser exponencial. Dentro da minha área de saúde, por exemplo, uma mudança no processo tecnológico faz com que não haja erro médico e conseguimos poupar vidas. Poder cuidar da saúde das pessoas a partir do uso tecnologia é uma missão. Acho que a palavra que define a minha carreira.

Um fato curioso que gostaria de contar é que, apesar de não ter me formado em Engenharia como queria, a vida me presenteou com um filho que estudou na Escola Politécnica da USP. Eu costumo dizer que as minhas células de alguma forma arrumaram um jeito de estar lá. E conseguir ver meu filho se formando na faculdade que eu desejava foi um grande prazer na minha vida.

 

Para saber mais sobre a Lilian Quintal Hoffmann, veja seu LinkedIn:

https://www.linkedin.com/in/lilian-quintal-hoffmann-491a3312/