“Corri muito atrás da minha independência e sonhos” – Conheça Fabíola Marchiori, Superintendente Digital do Itaú Unibanco

Minha vida foi desafiadora. Na empresa que trabalhei aos 18 anos, fui a primeira mulher. Depois fui uma das três mulheres, de uma sala de quase trinta, que se interessaram por Inteligência Artificial no início dos anos 2000.

Me formei no mestrado com uma filha de cinco anos e trabalhando em tempo integral. Sempre amei codificar, discutir soluções e propor maneiras de fazer o impossível ser possível. Tenho um amor profundo pela tecnologia porque acredito que realmente pode mudar o mundo. Resolver problemas reais como fome, corrupção, como nos movemos de um lugar a outro, como geramos energia, e, principalmente, como a tecnologia nos leva a entender a máquina mais perfeita da natureza: o cérebro humano.

Por trás de toda essa trajetória, sempre esteve uma mulher batalhadora que se esforçou muito. Cresci tendo uma mulher  como líder da casa. Sou filha de uma mãe solteira, guerreira, que me criou acreditando que eu poderia realizar qualquer coisa que quisesse, desde que me esforçasse pra isso. “Faça o que quiser fazer, mas se esforce e seja dona de você”, ela me dizia. E aí, por esse apoio, por estar correndo atrás da minha independência e por uma questão de afinidade com as exatas, eu acabei escolhendo o caminho da tecnologia.

Na cidade onde morávamos tinha um colégio técnico federal, muito concorrido, que já formava os alunos para trabalharem depois do terceiro ano. Fiz o técnico em eletrônica e quando conheci o computador, me apaixonei desesperadamente.

Na época da faculdade, já tive a percepção de que era uma área tomada por homens e, no começo, até tentei me adaptar assumindo uma postura masculinizada, mais agressiva. Não que mulheres não sejam agressivas também, mas o estereótipo masculino, daquele homem que bate na mesa, que xinga. E aí um dia percebi que ser diferente, ser outra pessoa e apostar em habilidades até então desprezadas era, na verdade, o que tinha me levado até ali.  A carreira em tecnologia  tem muita oportunidade e, com preparo, conseguimos romper as barreiras que tentam nos impor.

Hoje, eu trabalho em uma Organização que olha para a diversidade, mas os cargos de decisão, continuam sendo masculinos. Por isso, considero importante que as meninas se empolguem a seguir esta carreira também. Para isso, é preciso aprender sempre. Esta área tem um amplo espectro de atuação e vale muito a pena. É como desvendar um mundo novo. Dediquem-se a aprender, a acompanhar as mudanças constantes da área e não desistam. Vocês podem ser quem quiserem!

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