“Podem tirar tudo de você, menos o que você sabe” – Conheça Babi de Oliveira, gerente de renovações na Red Hat Brasil

Minha história começa bastante interdisciplinar. Com 15 anos eu comecei a estudar música e, já nessa idade, precisei tomar decisões que guiariam a minha carreira até hoje. Depois de um ano, optei por abandonar o curso e me mudar para a Inglaterra, para trabalhar e fazer um curso de inglês pois sabia da importância do idioma. Eu tenho família lá, então aproveitei a oportunidade. Logo que comecei a dominar a língua, iniciei um curso chamado A-Level, a preparação para universidades Britânicas, e optei por foco em psicologia e, quando voltei ao Brasil, comecei a dar aula de inglês para brasileiros e português para estrangeiros.

 

Durante algum tempo trabalhei numa multinacional de idiomas e lá, percebi que precisava fazer novas escolhas. Aí, decidi cursar Administração de Empresas.

 

Quando eu estava fazendo meu curso de administração, já estava na transição de sair do mundo de idiomas e entrar no mundo de tecnologia. Não tive nenhuma influência familiar nem de amigos, mas percebia uma tendência no mercado de forma geral, então resolvi tentar. Com essa mudança, percebi que eu sofria bastante resistência por parte do mercado. Apesar da pouca idade, eu tinha uma posição de diretora na empresa que eu trabalhava, e tive que mudar meu currículo e ocultar minhas experiências para conseguir uma vaga como estagiária. E foi aí que tudo começou. Quando entrei nessa empresa, ainda não tinha me tornado mãe, mas engravidei depois de cerca de 6 ou 7 meses e meu contrato não foi renovado. E eu acredito que tenha sido por causa da gravidez.

 

Ser mãe transformou toda a minha vida. Acredito que o que mais mudou pra mim, é que até aquele momento, eu sempre dependia de alguém. E aí, quando a Sophia nasceu, eu tinha aquele bichinho que dependia exclusivamente de mim… Pra tudo! O senso de responsabilidade se altera muito quando você tem um filho e foi isso que me ajudou muito a ter forças pra lutar pela minha carreira, pra passar inúmeras noites acordadas e ainda assim estar de pé às 6 da manhã para ir trabalhar e entregar de uma forma produtiva. Me incentivou também pra saber como trabalhar de uma forma mais inteligente, pra conseguir fazer com que meu tempo rendesse. Eu não tinha mais a possibilidade de trabalhar todo dia até às 10h da noite, como eu fazia antes, porque eu tinha alguém que precisava de mim em casa. Eu tinha um novo papel, que era o desenvolvimento de uma criança, saber como ela estava, cuidar do bem-estar dela, não só físico, mas emocional também.

 

Quando meu contrato não foi renovado e eu já estava grávida, eu sabia que seria difícil voltar ao mercado de trabalho. A justificativa para os nãos era que ainda estava amamentando ou que tinha uma criança recém-nascida para cuidar… Como se uma mãe com uma criança recém-nascida não precisasse de um trabalho! Precisei de muito foco, até que consegui uma recomendação para uma vaga e passei no processo seletivo.

 

Acredito que esse foi o momento que consegui dar um grande pulo no meu desenvolvimento pessoal, porque passei por diversas áreas diferentes, consegui aprimorar conhecimentos que já tinha e desenvolver outros. Minha especialização é em canais e trabalhei como vendedora nessa área. Um dia, recebi uma ligação de uma pessoa que tinha me visto no LinkedIn e decidi bater um papo com ela, com a intenção apenas de colaborar para o perfil da vaga, porque gostava muito do meu trabalho e não tinha interesse de sair. Acabou que papo vai, papo vem, e depois de alguns encontros, acabei me interessando pela vaga!

 

A possibilidade de ter uma carreira em uma grande multinacional, onde eu poderia ter mais liberdade de forma de trabalho e de poder fazer parte das transformações do mundo, foi o que me encantou. Apesar de saber que a tecnologia é uma área que hoje é ocupada principalmente por homens, eu também sei que não precisa ser assim. Existe muito espaço para que as mulheres ocupem. É uma área promissora, com desafios e muitas oportunidades, apesar de grandes dificuldades que também serão enfrentadas.

 

Conhecendo esse universo hoje, um conselho que eu daria para a Babi do passado – e até pra Babi do presente! – e falo sempre com a minha filha é que: a única coisa que não tiram da gente, é aquilo que a gente sabe. Podem tirar tudo de você, mas a sua vontade de vencer, sua curiosidade, sua coragem, aquilo que você sabe… Ninguém nunca tira de você, porque isso faz parte da sua essência. A gente vive num momento político hoje, no Brasil e no mundo, que muitas vezes tendem a limitar a mulher e acho que isso não podemos permitir. Temos que buscar apoio umas nas outras. Eu vivi na pele as dificuldades de ser mulher, onde a gente sofre com preconceito, com machismo, sofremos com tudo mais que um homem nunca vai saber o que é.

 

Por isso, para as meninas, eu diria: estudem! Sejam curiosas! Sempre procurem mais do que uma fonte de informação e cultivem a empatia. E principalmente, se unam. Enquanto eu viver, eu vou fazer alguma coisa por uma mulher que eu puder ajudar!

Babi no Linkedin: https://bit.ly/2O1zWRZ