Habilidades femininas e propósito – conheça a visão de uma profissional de RH sobre as mulheres na tecnologia. Artigo com Suze Petiniunas

Suze Petiniunas é consultora, especialista em cultura organizacional, coach e participou ativamente em processos de transformação digital. Tem experiência em trabalhar com grandes empresas e se dispôs a contar ao Ser Mulher em Tech um pouco sobre a perspectiva de RH sobre as mulheres na tecnologia. Confira!

 

“Comecei a trabalhar com transformação digital há 5 anos, quando participei ativamente deste processo em um grande banco. Confesso que me apaixonei e vi bastante potencial de atuação para mim. Tenho estudado bastante, lido muito e feito uma série de cursos e decidi atuar com essa transformação cultural, o que me trouxe uma perspectiva das mulheres na tecnologia. Sobre isso, tenho dois pontos principais, que acho que são relevantes para a questão.

Primeiro, penso que a tecnologia extrapola a própria área e vai muito além disso. Vejo que cada vez mais ela faz parte dos negócios como um todo, independente do segmento. No marketing, a tecnologia é importante, assim como é também no RH e no financeiro. E, para mim, abre várias portas e novas maneiras de pensar. Inclusive considerando que muitos empregos, muitas possibilidades, uma vez que falamos de um mundo digital, ainda vão surgir. E serão, provavelmente, coisas que ainda não conseguimos imaginar.

Com esse movimento, surgirão também novas portas para as mulheres. Entendo que vamos ter uma transformação, que na verdade já está acontecendo, mas que ainda deve se intensificar, do que é uma carreira em tecnologia. A ideia de que essa é uma carreira masculina vai deixar de existir. Esse é um ponto.

O segundo ponto é que, por conta desse novo cenário, que passa a exigir novas competências, as mulheres têm muito a contribuir. Vou dar um exemplo: o novo mundo digital pede que você trabalhe de uma forma colaborativa e creio que as mulheres têm um tato maior para conversar, para chegar a um consenso. Julgo que as mulheres têm características que ajudam esse ecossistema, como a colaboração e a empatia, por exemplo. A mulher consegue se colocar mais facilmente no lugar do outro.

Entendo que esse mundo digital exige alguns soft skills que ajudam a alavancar um trabalho colaborativo, e acho que a mulher já traz isso pela sua própria natureza. A questão de se construir ambientes de confiança e de incentivar mais a reflexão e o autoconhecimento, são alguns exemplos que posso citar. Esse ambiente vai trazer desafios que as pessoas vão precisar olhar mais para si mesmas. Se eu estou trabalhando de uma forma colaborativa, eu tenho que entender que, de repente, minha colega trabalha melhor que eu em alguma coisa. Eu preciso ter a sabedoria de abrir mão de alguns modelos mentais de egoísmo, de me colocar no centro, em detrimento do grupo.

Somando a isso, acredito que o aumento da análise de dados e dos papéis de Coach, por exemplo, podem trazer para as mulheres uma boa oportunidade de inserção neste mercado. Pelo que tenho visto e estudado, estamos prestes a perceber um movimento interessante.

Combinado com as habilidades técnicas, precisamos considerar a questão do propósito. Antes, a tecnologia era vista como um meio, basicamente servia para desenvolver programas. Hoje, ao contrário, com todo esse contexto digital, a tecnologia serve para facilitar a vida das pessoas, para realizar sonhos e evoluir os serviços – e até o mundo! Estamos realmente falando de uma revolução mundial. O propósito de poder ajudar, de poder contribuir ativamente para coisas que realmente fazem a diferença, está completamente ligado à tecnologia. E acredito que isso pode inspirar muito as pessoas!

Conheça mais Suze: https://bit.ly/2Ac2XqK