“Queria saber o que tinha por trás daquelas máquinas gigantes!”, conheça Greyce Gois, que chegou na tecnologia movida pela curiosidade

Na década de 80, 90, era comum que os jovens se encantassem por aqueles computadores enormes que existiam, e eu, como uma menina super curiosa, queria saber como tudo aquilo funcionava. E foi isso, foi a minha curiosidade que me levou por esse caminho.

 

Como meus pais não tinham dinheiro para pagar uma faculdade particular, eu foquei em vestibulares públicos com preferência na região onde morava e logo consegui passar na FATEC de Santos. Não tive influência direta deles, mas a participação e incentivo – ou a resistência! – foram muito importantes.

 

Meu pai era bastante autoritário e, sem dúvida, um tanto machista. Eu estudava longe de casa, e, além do ônibus, tinha uma caminhada de meia hora. Ele, dono do carro, não ia me buscar de jeito nenhum. Aqui, sou muito grata à minha mãe, que fazia o caminho a pé comigo, porque eu voltava à noite e podia ser perigoso caminhar sozinha. E quando chegou a hora de trabalhar? Nossa! Foi quase uma briga! Eu já queria ser independente desde os 15 anos, para comprar meus papéis de carta e meus lápis de coleção, mas meu pai sempre disse que “filha minha não vai trabalhar”. Por sorte, o estágio era obrigatório na faculdade, então ele teve que ceder. Entendeu que era importante para meus estudos, meu futuro e minha carreira e finalmente deixou.

 

Como em Santos não tinha um bom mercado para a tecnologia, eu acabei arrumando um estágio em São Paulo, e aí a minha rotina ficou ainda mais maluca. A ajuda da minha mãe foi muito importante nesse momento também. Ela, professora, sempre trabalhou fora e eu pude me inspirar na força e dedicação dela. No meu primeiro estágio eu fui responsável por implementar um sistema de gestão na área financeira e às vezes precisava virar a noite no escritório e já até cheguei a dormir no vestiário. Aí, com 23 anos, entrei para a mesma empresa que trabalho hoje, a SAP, e era a pessoa mais nova de todos os funcionários. Naquela época, um gerente de projeto disse que não trabalharia com uma “menina recém-formada, sem experiência”. Alguns anos depois, essa mesma menina se tornou a melhor consultora e esse mesmo gerente “brigava” para que eu atuasse nos Projetos dele.

 

Junto com as pessoas, o mundo evolui com a tecnologia e, pertencer a esse universo, te coloca na frente, te motiva e te inspira. Além de, como profissional de TI, poder atuar em diferentes áreas, com uma visão estratégica ou técnica e podendo exercer cargos em diferentes esferas e construir uma carreira sólida.

 

Acho que uma coisa importante para se falar, não vou mentir, é que essa é uma carreira desafiadora e sem rotina. Às vezes, nesse mundo da tecnologia, perdemos um pouco o nosso lado “humano”, nos distanciamos um pouco das pessoas, além do nível de stress ser alto e a pressão constante. Mas a parte boa é que ao mesmo tempo, nos envolve e nos inspira a fazer o melhor.

 

Então, se esse é o seu sonho, nunca desista dele e saiba que nada é impossível. Nós podemos tudo, desde que nos preparemos. Não deixe se desequilibrar por comentários preconceituosos ou críticas maldosas. Pare, pense, planeje sua carreira, não empurre com a barriga ou se engane fazendo algo que não gosta. Trabalhar com paixão é essencial para alcançar a realização pessoal. Me considero uma pessoa independente e realizada tanto na vida pessoal quanto na profissional.

 

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