Um metro e meio de altura e quase dois de determinação! – Conheça Elisabete Waller, IT Advisory Leader na EY

Eu sempre fui uma mulher das exatas. Não sabia bem o que isso significava quando eu era criança, mas sempre fui boa em matemática e rápida de raciocínio, assim quando chegou a hora de escolher minha profissão, a decisão já estava, em parte, tomada. Resolvi que cursaria estatística porque tinha vontade de trabalhar no IBGE.

Como a faculdade de Estatística era gratuita e só no período da manhã, meu pai sugeriu que eu fizesse outra à noite, se propondo a pagar. Passei nos dois vestibulares e comecei a cursar também processamento de dados. A escolha do curso também foi sugestão do meu pai, que me disse que era uma profissão do futuro e que via em mim o perfil para essa carreira.

Depois de um ano frequentando os dois cursos, percebi que não gostava tanto de estatística e que, na verdade, o que eu adorava era computação. Larguei a faculdade Estatística e me dediquei apenas à processamento de dados.

Quando chegou o momento de fazer estágio,  enfrentei um primeiro desafio na área: se hoje é difícil mulheres em tecnologia, imagina há 30 anos! Ainda assim, comecei a estagiar e assim que eu me formei consegui rapidamente um emprego.

O microcomputador estava no auge na época, portanto a demanda por profissionais da área cresceu demasiado. E, desde que eu entrei nesse mundo da tecnologia, não fiquei parada nenhum dia.

Para mim, é exatamente esse o lado positivo de ter uma carreira em tecnologia: nunca me falta trabalho. Mesmo em períodos do Brasil em crise e o índice de desemprego alto no país, o impacto em TI era muito pequeno, comparado com outras profissões. Esse mercado está sendo crescendo e tem remunerações cada vez melhores.

Como mulher, eu não cheguei a enfrentar muitos desafios de gênero, mas já passei por situações em que ser “menina” gerou dúvidas sobre a minha capacidade de entrega. Mas contornei isso bem rápido com um ótimo trabalho e, no final, as equipes brigavam por mim. Gosto de brincar que tenho 1,50m de altura e 1,90 de determinação!

Para profissionais que se tornam mães e acham importante acompanhar os filhos de perto, a área oferece a possibilidade do trabalho remoto. Mulheres pensam rápido e em várias coisas ao mesmo tempo. Somos muito organizadas e estruturadas e, na minha visão, essas são características que fazem das mulheres profissionais diferenciadas em TI. Apesar de, hoje em dia, ser uma carreira com maior presença de homens, eu acredito que deveria ser muito mais feminina, principalmente nos temas de desenvolvimento de soluções.

Sempre me posicionei através do meu conhecimento que, na minha visão, é o que faz a diferença. Na minha equipe, trabalho com mulheres e homens igualmente, 50/50, e isso não foi planejado… eu contrato por competência!

Para as meninas que querem seguir este caminho, sugiro que estejam dispostas a enfrentar muitos desafios, e já adianto que as recompensas valem a pena! O desafio é enfrentar uma área que muda todos os dias, te fazendo aprender coisas novas, com uma visão de transformação gigante, e essa é uma das coisas que me encanta.

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