A carreira em TI não foi apenas um meio de ganhar a vida, mas de aprender a viver – Conheça Professora Janete Ribeiro

Eu sempre fui muito curiosa e sempre adorei a ideia de futuro, era uma daquelas crianças que questionava todos os porquês da vida. Gostava também de estudar e de pesquisar e era fã obcecada dos Jetsons e do Batman. Os Jetsons me traziam uma empolgação por ver na telinha uma visão do futuro dos meus sonhos, enquanto o Batman era um super-herói que não vinha de nenhum outro planeta e não tinha poderes fantasiosos. Eu podia ser o Batman! Com a inteligência dele, era capaz de criar máquinas e engrenagens incríveis e ele já tinha uma sala de computadores. Eu ficava encantada. Até que tive a oportunidade de visitar o escritório onde uma amiga da minha irmã trabalhava. Ela era formada no técnico em processamento de dados e trabalhava como assistente administrativa. Quando visitei o trabalho dela, foi como um passeio pela NASA. Me apaixonei pela área e foi aí que começou a minha trajetória em TI.

De cara, o primeiro impasse: o colégio técnico era particular e minha mãe era costureira, viúva, com cinco filhos e não tinha dinheiro para pagar. Ela não tinha a menor noção do que era tecnologia e, conversando com meus irmãos, a visão deles era de que eu era lunática, porque, para eles, essa era uma área masculina, especificamente para homens ricos, e eu, nem homem, nem rica. Minha mãe, no alto de sua sabedoria, me disse que não entendia muito disso, mas que vendo a amiga da minha irmã – aquela, que me levou pra visitar o escritório – exercendo essa profissão, deixaria de lado a opinião dos meus irmãos. O problema é que essa amiga vinha de uma família mais rica e o colégio particular não era uma barreira pra ela. “Eu confio na sua inteligência”, minha mãe me disse, se propondo a me ajudar com os livros e materiais, caso conseguisse uma bolsa de estudos. “Se você acredita que é capaz de exercer essa profissão, não é o fato de ser mulher, pobre, preta, e outros tantos adjetivos que a sociedade nos dá para nos desencorajar, que vai te enfraquecer”. Com esse apoio, consegui a bolsa para o primeiro ano e trabalhei para pagar os outros dois.

E aí, já trabalhando, tive oportunidades magníficas, como trabalhar em projetos internacionais, em vários países diferentes – Argentina, México, Colômbia, Uruguai, Estados Unidos, Canadá, Espanha e Escócia… ufa – e em projetos com equipes espalhadas pelo mundo também, na Índia, Malásia, Japão e Austrália. Pude conhecer diferentes culturas e costumes, aprendi muito mais do que apenas idiomas estrangeiros, mas a conviver com as diferenças. Neste ponto, a carreira não me serviu apenas como um meio de ganhar a vida, mas como forma de aprender a viver.

Aprendi também uma coisa muito importante: nunca saberei tudo sobre a minha área. A tecnologia tem uma evolução constante e te obriga a nunca se acomodar. Ninguém nessa área pode se sentir no olimpo, achando que já sabe tudo. Esse domínio pode durar no máximo algumas horas, tudo muda o tempo todo. Você tem que estar sempre aberto a aprender coisas novas, a criar coisas novas, se renovar infinitamente.

Acredito que, como mulher, não exista empecilhos ou maiores dificuldades para seguir esta carreira. O mais importante é saber que a persistência e resiliência são características básicas e que a missão do profissional da tecnologia é resolver problemas. Então, eu diria que, se você gosta de novidades, gosta de aprender sempre, gosta de ajudar pessoas e criar soluções para os problemas da sociedade… Mergulhe nessa área, aqui você vai ter tudo isso e muito mais!

 

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