“Cada pessoa tem uma trajetória única e eu prefiro a ideia de que eu sou uma história.” Conheça a história de Paula Bellizia, Presidente da Microsoft

Minha história com a tecnologia começa no momento de escolha da profissão. Meu interesse inicial passava muito por áreas criativas, como design gráfico, por exemplo, e como essas coisas estavam, na época, começando a se tornar processos digitais. Fui aprovada no curso de processamento de dados Fatec de Santos, cidade onde morava com meus pais. Foi fácil notar, logo no início, o desafio de diversidade de gênero na área: na minha classe de 40 alunos, havia apenas 6 mulheres.

 

Fui estagiária na Cosipa, uma siderúrgica de Cubatão que hoje pertence à Usiminas. Meu primeiro emprego foi na Whirlpool, numa equipe de tecnologia que ficava alocada dentro da área de marketing. Depois de programar uma solução que trouxe grande eficiência para a empresa, minha chefe à época notou meu interesse por entender o negócio e me convidou para fazer carreira em marketing. Foi a primeira grande lição que aprendi sobre tecnologia. Ela é uma ferramenta que ajuda as pessoas a resolverem problemas. Uma profissional da área precisa manter sempre um olho no mercado para solucionar problemas reais.

 

Trabalhei por oito anos na Whirlpool, tive uma passagem pela Telefônica e iniciei minha trajetória na Microsoft em 2002, como gerente de vendas para pequenas e médias empresas. Minha primeira passagem durou dez anos. Deixei a empresa como diretora de marketing e operações.

 

Tive duas experiências fora da Microsoft, uma no Facebook e outra na Apple. Tive a honra de ser convidada a voltar para a Microsoft como presidente da empresa no Brasil em 2015. Está sendo uma experiência incrível poder liderar a subsidiária neste momento de transformação cultural. E é nesse ponto que entra a questão da diversidade e de como eu me engajei nessa causa.

 

Diversidade já é uma prioridade na Microsoft há bastante tempo e nesse processo de renovação que Satya Nadella, CEO da Microsoft, está promovendo, diversidade e inclusão passaram a compor um pilar fundamental de nossa cultura. Não é apenas uma questão de fazer o que é certo. A inovação depende de diversidade. Para que uma empresa possa ter sucesso no mercado, ela precisa elaborar soluções para todas as pessoas e todas as empresas. Para isso, precisamos que nossa força de trabalho seja um reflexo da sociedade. Por isso, buscamos explorar todo o potencial da diversidade: de gênero, de raça, de orientação sexual, mas também de ideias, de formações escolares e de visões de mundo.

 

Quando pensamos em diversidade de gênero, ainda existe uma predominância de homens entre os alunos que ingressam em faculdades de exatas ligadas à tecnologia, o que leva a um mercado de trabalho predominantemente masculino. Só vamos mudar esse cenário quando mais mulheres entrarem no mercado de trabalho. Dentro das empresas, a situação já mudou bastante. Na Microsoft, por exemplo, nos últimos anos, nós tomamos diversas medidas para que as oportunidades de crescimento sejam exatamente iguais. Por exemplo, todo o processo de seleção deve obrigatoriamente ter uma candidata entre os finalistas.

 

Não vamos resolver o problema da diversidade do dia para a noite. É uma questão ampla, que envolve diversos atores da sociedade. Por isso gosto de dizer que a diversidade é uma jornada e a inclusão é fundamental. Precisamos praticar diariamente e ser diligentes para que tenhamos diversidade e um ambiente verdadeiramente inclusivo para que todos se sintam parte e contribuam para a empresa.

 

Ter líderes profundamente empenhados em fazer todo o possível para melhorar a representatividade das mulheres e das minorias no mercado de trabalho é essencial. Além disso, diversidade deve ser um assunto prioritário dentro das empresas, e é o que está no topo da minha agenda e faz parte do dia-a-dia do meu time.

 

Quando me perguntam como me sinto por ser um exemplo, eu digo que não gosto muito da ideia de ser exemplo. Cada pessoa tem uma trajetória única e eu prefiro a ideia de que eu sou uma história. E a gente precisa de muitas histórias de sucesso de mulheres. E como profissional que começou numa formação técnica, em Santos, numa família que não tinha nenhum vínculo com tecnologia e que lutou muito para crescer, eu talvez possa ser uma história para os todos os jovens, meninos e meninas, que pensem em como crescer nas suas carreiras, ou se engajar em causas que tenham impacto na sociedade.