De professora de matemática a professora de robôs: conheça a história de Edileusa Estefani Prado que sonha desde sempre com Inteligência Artificial

Desde pequena eu fui apaixonada pelas exatas e meu sonho era ser professora de matemática. Na escola, era tutora dos meus colegas, que sempre se reuniam na minha casa na época das provas. Era uma mistura de festa com estudo! Minha mãe fazia bolo e pastel e eu dava aulas da matéria para todo mundo. Em relação à carreira técnica, não tive influência da minha família, mas fui bastante incentivada pelos meus professores a me dedicar a essa área. Quando surgiram os primeiros computadores, fiz um curso de Basic e me encontrei na programação e na computação.

Me formei em Ciência da Computação na UNESP, em um curso bem técnico. Minha sala de aula era bem equilibrada e eu tive várias colegas mulheres durante a graduação. Já no mercado de trabalho a história foi um pouco diferente. Comecei minha carreira como analista de sistemas em uma posição super desafiadora, cuidando de todos os sistemas administrativos, contábeis e folha de pagamento. Passados três anos desta fase inicial, tornei-me DBA – Administradora de banco de dados, onde lidava com grandes volumes de dados. Era uma das poucas mulheres nesta área e enfrentei alguns momentos em que fui desacreditada e tive que entregar muito mais para ser reconhecida. Aos poucos – e com muito esforço e trabalho! – fui sendo reconhecida como parceira e finalmente eu me senti parte de uma equipe.

Na faculdade eu fiquei fascinada pelo fato de ser capaz de criar soluções, inovar e automatizar processos e a Inteligência Artificial foi uma das minhas paixões. Quando eu programava, ficava imaginando como fazer a máquina interpretar e entender o código. Queria ensinar os robôs a realizarem tarefas. Não desisti do sonho de programar um para ser dono de casa.

Acabei não seguindo a carreira de professora de crianças, mas não abandonei a ideia de ensinar! Hoje, após cursar um MBA em Analytics e Big Data pela FIA, além de ministrar aulas na área, atuo como Data Scientist. Acho sensacional a ideia de criar modelos que nos auxiliem em previsões futuras, participar da criação de novas soluções ou produtos, em suma, a tecnologia nos proporciona uma visão fascinante de como as coisas são feitas e automatizadas. Além disso, poder transmitir um pouco desta experiência a outros, através das aulas, é incrivelmente gratificante.

Apesar da fascinação que essa carreira me proporciona, acredito que ainda precisamos ajustar as regras do mercado para nossa área. A flexibilidade dos horários e a possibilidade de trabalho remoto são muito importantes e é complicado lidar com nossa demanda no horário comercial de expediente. Além disso, como mulher, eu acredito que estamos caminhando para uma mudança positiva. Vejo a carreira em tecnologia pra mulheres com otimismo. É cada vez mais evidente o sucesso em se ter equipes mistas, explorando todo o potencial proporcionado com a diversidade de gêneros. Isto abre cada vez mais oportunidades, tornando mais fácil a vida das gerações de mulheres mais jovens.

Às meninas que pretendem seguir essa carreira, eu diria que primeiro descubram se realmente gostam de tecnologia. Se a resposta for sim, o segundo passo é mapear seus pontos fortes e pontos a melhorar. Isso permite saber onde focar nos estudos e desempenhar melhor a sua função. Com essa lição de casa feita, mantenham-se sempre atualizadas e valorizem o trabalho em equipe. Por experiência pessoal, eu acrescento ainda a importância de ser multitarefas. Ao longo da minha carreira eu me descobri como uma boa vendedora e também como empreendedora para área de inovação, o que seria uma tarefa muito interessante a ser desenvolvida.

Quero encerrar dizendo que façam sempre o melhor que puderem com as condições que lhes forem dadas, sempre de forma ética, transparente e colaborativa. Não desistam nunca dos seus sonhos! Vamos ocupar a tecnologia, tem espaço para todas nós!