Na tecnologia, a busca pelo novo nunca termina – Conheça Tatiana Veneroso, Gerente de Produtos Data Center da EMBRATEL – Claro Brasil

“Será que eu estou no lugar certo?“ Foi a primeira coisa que pensei quando entrei na sala do colégio e vi apenas 5 meninas entre os 40 alunos da classe. Tenho formação em tecnologia desde cedo, quando concluí o técnico em processamento de dados e, apesar de estar em um mundo completamente diferente, meus pais sempre me apoiaram, mesmo não entendendo muito bem o que eu fazia. Eu me interessei por essa área porque senti a necessidade de descobrir o novo sempre. Entendi que era uma área tão ampla, tão cheia de oportunidades de aprendizado e desenvolvimento profissional, que fui aos poucos descobrindo minha aptidão.

Na época, o curso era novo e muito pouco procurado por mulheres. Minhas amigas foram fazer secretariado ou administração de empresas. Então eu me perguntava se estava no caminho certo, mas me lembro de não me arrepender nem um segundo. Eu vi a internet nascer, as redes sociais serem criadas, o avanço da tecnologia complementando todas as indústrias e nichos do mercado e isso me deixava encantada. A busca pelo novo nunca termina, sempre tem alguma coisa para ser aprendida ou aprimorada!

Sempre gostei da área de infraestrutura de tecnologia, com foco técnico, e por isso, na hora de ir para a faculdade, não hesitei em escolher ciência da computação. Lá, o choque foi ainda maior: em uma sala com 98 pessoas, apenas 12 eram mulheres – e apenas 8 delas chegaram no final do curso comigo.

Confesso que sofri mais preconceito no dia-a-dia do trabalho do que durante meus estudos. Ouvi piadas e brincadeiras, mas nunca me deixei abalar. Consegui inclusive uma boa relação com meus professores – em maioria… adivinha! Homens! – e um deles me deu uma oportunidade em uma empresa. Ele sempre me apoiou muito, a mim e as outras meninas da sala. No final da faculdade, acabei sendo a oradora da sala na formatura. Fui escolhida entre tantos homens e para mim e para imagem da mulher nos cursos de tecnologia, acho que foi bastante representativo.

Na minha carreira passei por algumas situações difíceis por ser mulher. Pessoas do meu time que questionavam a minha capacidade e gestores que faziam piadas preconceituosas e não me respeitavam. “Mas ela sabe do que está falando, tecnicamente?” Tive frequentemente que me posicionar como uma profissional séria que não tolerava esse tipo de comportamento e sempre consegui que me compreendessem. A mulher ainda tem muito a mostrar, principalmente, que somos tão capazes quanto qualquer um. Acho que precisamos nos desenvolver constantemente, buscar por inovações e saber estar presente. Deixar as pessoas saberem quais são nossos pontos fortes, criando uma marca para ser reconhecida. Em 2004, tive a oportunidade de ser escolhida para participar de um programa na Califórnia e era a única mulher entre os participantes. Isso me fez crescer ainda mais e ver que eu estava realmente no caminho certo.

Vejo que as meninas ainda são pouco estimuladas a estudar matemática, ciência e tecnologia e isso contribui para a pouca participação feminina nesses mercados. Mas já é possível ver a diferença, com o boom tecnológico, de como estamos pleiteando um espaço nesse universo. Para mim, é importante ser inspiração para outras profissionais. A troca de aprendizado é essencial e eu faço questão de compartilhar minhas experiências para que outras meninas sigam esse caminho.

Se eu pudesse dar uma dica para a Tatiana de 1994? Não desista! Corra atrás dos seus sonhos e não deixe ninguém te dizer o que você pode ou não fazer por ser mulher. Nunca duvide da sua capacidade. Isso vale para qualquer menina que esteja pensando em seguir essa carreira. E querem saber? Eu faria tudo de novo!