Luzia Sarno, ex CIO da Copersucar, conta um pouco sobre sua própria (r)evolução digital.

Investir no aprendizado de línguas, buscar novos conhecimentos técnicos e gerenciais, fazer um movimento lateral para expandir os horizontes…. isto e muito mais é o que está na agenda da maioria de nós do mundo Corporativo. Mas até onde realmente estamos dispostas a investir?

Não foi uma decisão fácil mas nossa entrevistada de hoje fez com sua carreira o que empresas atualmente estão sendo incitadas a fazerem para se reinventarem: sair da zona de conforto, buscar novos mercados e oportunidades, abrir horizontes neste momento nunca visto antes na área de tecnologia.

Assim, mesmo com risco imediato ao status quo, ela entendeu que este era um caminho inexorável e que quem investir nessa linha colherá muito mais frutos adiante. Então, mesmo em meio à crise atual que o país vive, em maio deste ano nossa entrevistada decidiu pedir demissão da empresa onde atuava por muitos anos.

De maneira madura entendeu que o tipo de transformação que buscava necessitava de foco e não poderia fazer isso em paralelo com as necessidades inerentes à posição que ocupava. Em suas palavras “Eu estou fazendo a minha própria (r)evolução digital, mexendo no próprio queijo”.

Só podemos parabenizá-la por criar uma oportunidade como esta em sua vida.

Nossa entrevistada é Luzia Sarno, que nos últimos quase nove anos atuava como CIO da Copersucar. Luzia, como algumas entrevistadas de nosso blog, também faz parte do grupo CIO Solidário:  projeto que surgiu entre alguns amigos CIOs com o objetivo de devolver para sociedade parte do que alcançaram em suas vidas.

Sua trajetória tem sido em grandes empresas, sempre atuando em tecnologia da informação.

1)    Luzia, qual é sua Formação Acadêmica?

Bacharelanda em Estatística pelo IME-USP e MBA Executivo Internacional pela FEA-USP

2)    Porque escolheu uma carreira na área técnica? Teve influência da família?

Eu sempre me interessei por várias matérias em todas as áreas, humanas, biológicas e exatas. A escolha não foi planejada, e, como em várias decisões da minha vida, simplesmente segui minha intuição por impulso. E, como sempre, acabou dando certo. Mas acho que seria uma excelente médica (de pronto socorro, pois gosto de adrenalina rsrsr)

3)    O que a fez se interessar pela área de tecnologia?

Na faculdade não gostava de tecnologia, já que na USP a matéria era muito voltada para o que chamamos de baixo nível (base de dados, compiladores, etc). Eu fiz estatística e gostava bastante pois via aplicação prática do que estudava. Mas no meu primeiro estágio procuravam alguém de exatas, comecei a trabalhar na área e me encantei

4)    Na sua visão, qual é o lado positivo de ter carreira em tecnologia?

Acho que realmente é a única área onde você tem a visão orquestrada de uma empresa, desde o backoffice até o core business, seja ele qual for. Nenhuma outra posição te dá a visão de todos os processos que ocorrem e respectivas interconexões e ninguém tem a visibilidade holística como a(o) CIO. A(o) CEO, claro, sabe num certo nível, mas o que ocorre “nos bastidores” não chega a ela/ele, enquanto em IT é impossível não saber o que está dando certo e o que não está funcionando bem na empresa.

Além disso há a inovação, que é o que me mais me atrai. Não há limites para onde chegaremos com a tecnologia e as rupturas ocorrem sem parar, te dando um desafio intelectual imenso.

5)    Diga uma palavra que define a carreira em tecnologia

Ruptura.

6)    Na sua visão, qual é o lado negativo ter carreira em tecnologia?

Nenhum, adoro o que faço. Mesmo quando trabalhando demais, como dizia minha avó, quem corre por gosto não se cansa”

7)    Como é a carreira em tecnologia para mulheres?

É um mundo bastante masculino, mas, novamente, se você faz o que gosta, isso não é um problema. Pelo menos conscientemente nunca senti preconceito a ponto de me atrapalhar, eram mais situações engraçadas do que ofensivas.

8)    O que diria para meninas em relação a seguir carreira em tecnologia?

Se você procura algo que te desafie constantemente, essa é a carreira ideal. Há espaço para tudo – se você gosta de “escovar bits”, as grandes desenvolvedoras de tecnologia são o caminho. Se você gosta mais de negócios, transformar um produto/serviço através da tecnologia é muito compensador.

Mas, a minha visão de futuro é que não haverá uma área separada de tecnologia como é hoje, ela estará tão embrenhada nos negócios que será impossível distinguir um do outro. Então, por exemplo, a(o) diretor (a) comercial terá que ter a visão digital para desenvolver novos produtos e saber como colocá-los no mercado, mesmo que o produto seja físico. A(o) diretor(a) de RH não poderá ignorar o avanço dos robôs no ambiente de trabalho ou novos modos de contratação. Eu brinco com o conceito de pessoas em nuvem, não mais o modelo CLT, mas sim cada qual comercializando seu dom sob demanda e a “empresa” sendo um grande ambiente virtual que agrega cada talento quando necessário e orquestrando essas interconexões. Quem fará esse papel ? Quem mais tiver afinidade com tecnologia e visão holística é a(o) melhor candidata(o).

9)    Algum fato curioso de sua carreira que gostaria de compartilhar?

Me formei em 1986 e até hoje me surpreendo com o avanço que temos no mundo graças à tecnologia. Por exemplo, quando comecei a trabalhar não havia email e lembro que uns dois anos depois, quando iniciamos o processo, uma pessoa me disse que não iria usar pois isso era trabalho da secretária dele. Eu mesma, analisando o sistema operacional da IBM (O2) antes da criação do Windows, fiz um relatório dizendo que “o conceito era bem interessante, mas o ser humano não estava pronto para trabalhar em múltiplas janelas com múltiplas tarefas “ rsrsrs… Há 20 anos não tínhamos celular e hoje, de idosos a crianças, é ferramenta absolutamente “normal”. Acho isso incrível e assustador. A inovação sempre esteve presente, mas a tecnologia permitiu um crescimento exponencial da mesma e realmente está revolucionando o modo como vivemos e trabalhamos.

10) O que há e/ou houve em sua trajetória que considera especial e que gostaria de compartilhar com as meninas pra encantá-las?

Como comentei eu não planejo, sigo minha intuição em todas as grandes mudanças da minha vida. Mas, o que aprendi é fácil de falar e difícil de seguir: simplesmente faça o que gosta, busque o que te brilha os olhos. Se você se levanta animada para ir trabalhar, seja onde for, está no caminho certo. Se não for o caso, simule na sua mente o que gostaria de estar fazendo e busque seguir aquilo. O dinheiro será consequência.

11) Mais algum comentário?

Seja a primeira a acreditar em si mesma e vá em frente ! O que de pior pode acontecer ? Seus medos são mais feios na sua cabeça do que na vida real. Meu lema é mais perdão do que permissão !