A TI também anda de salto alto! Entrevista com Cristina Palmaka, celebrando 1 ano do projeto #SerMulherEmTech – vamos inspirar e encantar?

O tilintar das minhas pulseiras ao entrar na sala e me apresentar como presidente de uma multinacional de tecnologia ainda causa estranheza em muita gente. Às vezes, leio nos olhos de alguns “como será que ELA chegou neste cargo?”.

Infelizmente, nós mulheres ainda somos minoria no setor de tecnologia. Mas a resposta vem no fluir da conversa: eu gosto do que eu faço. E estou em um setor que eu adoro e no qual eu atuo há mais de 30 anos, desde que comecei minha vida profissional na Philips, usando meu salário para pagar meus estudos na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, onde me formei em Ciências Contábeis.

Depois da Philips, trabalhei por quase dez anos na Compaq/HP, tive minha primeira passagem pela SAP Brasil, fui para a Microsoft, por três anos, de onde voltei para a SAP Brasil em outubro de 2013 para ocupar a presidência da empresa.

Olhando para trás, a tecnologia foi mais que uma escolha, dediquei e continuo a dedicar minha vida profissional a ela. Encontro na tecnologia a possibilidade de desenvolver alguns de meus valores já que ela proporciona um impacto positivo não somente nas empresas, que se tornam mais produtivas, inovadoras e eficientes, mas também nas pessoas, já que podemos levar soluções que afetam suas vidas, como por exemplo para a melhoria da área de saúde. Esse impacto me energiza, me mostra novos e infinitos caminhos que podem ser trilhados.

O fato de ter escolhido este setor para desenvolver minha carreira nunca foi um empecilho para minha vida pessoal. Nunca me senti obrigada a escolher. Eu tenho minha família, uma filha de 11 e falamos claramente sobre todas as possibilidades do futuro dela. Recentemente, inclusive, estávamos lendo juntas o “Histórias para ninar para garotas rebeldes”, da Elena Favilli & Francesca Cavallo, editora V&R. Neste livro, são apresentadas histórias de mulheres que venceram preconceitos nas mais diferentes áreas e tempos.

E acho totalmente viável, qualquer pessoa – independente de gênero – conseguir conciliar vida profissional e pessoal. Claro que o ambiente de trabalho ajuda muito. Tenho a honra de poder trabalhar em uma empresa onde estranho seria não ver mulheres. Na SAP, hoje, já somos 30% dos colaboradores e 27% dos líderes.

Quando alguém me pergunta por quais dificuldades eu passei, eu respondo: eu passei pelas mesmas que qualquer homem poderia ter passado, só que com um pouco mais de pulseiras no pulso!