Quer ser independente financeiramente? Siga carreira em tecnologia! Entrevista com Karen Vulcano

Olá!

Recentemente entrei em contato com algumas das entrevistadas no blog pedindo apoio em identificarmos mulheres que quisessem compartilhar suas trajetórias na carreira de tecnologia.

Fui agraciada com vários contatos de mulheres com experiências acadêmicas e profissionais extremamente interessantes.

A Karen Vulcano, nossa entrevistada de hoje é uma delas. Jovem, trabalha atualmente na área de tecnologia do UOL.

A história da Karen concretiza muito a mensagem que temos tentado passar para vocês meninas: com apenas uma formação técnica em processamento de dados e afins, e não necessariamente com um curso superior, vocês já tem acesso a excelentes oportunidades profissionais.

A Karen acabou tendo uma formação acadêmica mais completa, concluindo uma pós graduação. Mas sua primeira boa oportunidade profissional chegou quando ela ainda estava no Ensino Médio Técnico.

Eu não fiz curso médio técnico, mas logo no início da minha faculdade de Ciência da Computação comecei a trabalhar também! Ou seja: é uma área que tem um retorno financeiro no curto prazo. E isso é tudo de bom para quem quer ser independente!

Bem…. vamos ver o que a Karen tem a contar.

Qual é sua Formação Acadêmica?

Sou graduada em Sistemas de Informação, pela Universidade São Judas Tadeu, e pós-graduada em Gestão em Tecnologia da Informação, pela Fundação Getúlio Vargas.

Porque escolheu uma carreira na área técnica? Teve influência da família?

Não tive grandes influências. Meu sonho, na verdade, era ser médica-legista. Porém, não fiz muitos planos para alcançá-lo.

Quando iniciei o Ensino Médio, quis mudar-me da escola onde eu estudava. Com ajuda de minha mãe, acabei encontrando, quase de última hora, um curso de Ensino Médio Técnico em Processamento de Dados perto da minha casa, e não pensei duas vezes.

Ainda não tinha planos em seguir na carreira de tecnologia, mas, como gostava muito de computação, acabei me interessando pelo curso.

No último ano, a escola alterou nosso turno para noite, para incentivar-nos a procurar estágio e já começar a trabalhar na área.

Logo no início do ano, um amigo da classe, que já trabalhava em uma empresa de Telecomunicações, me indicou quando abriram vagas para estágios.

Passei nas entrevistas e dinâmicas e iniciei otrabalhando na área de testes de software. Não sabia absolutamente nada a respeito, mas a empresa estava super disposta a ensinar. E foi amor à primeira vista!

Também no último ano do curso técnico, tivemos a matéria de gerenciamento de projetos em TI. Foi quando meus olhinhos brilharam e decidi ficar de vez.

Finalizei o curso, emendei direto na faculdade e fui efetivada na empresa em que estava. Ainda na mesma empresa iniciei o curso de pós-graduação, muito recomendado pelo meu chefe que sempre me apoiou e me aconselhou desde o início de minha carreira.

Na sua visão, qual é o lado positivo de ter carreira em tecnologia? 

Eu acredito que seja uma área muito promissora e abrangente. É possível aprender MUITA coisa, passar por muitas áreas dentro das empresas e ainda assim continuar em “tecnologia”. É possível saber um pouco sobre tudo e escolher algo em que se especializar e ser realmente boa no que faz.

Diga uma palavra que define a carreira em tecnologia.

Desafio.

Na sua visão, qual é o lado negativo ter carreira em tecnologia? 

Acredito que seja uma carreira ainda vista por muitos como “trabalho de homem”. E precisamos mudar isso urgente!

Como é a carreira em tecnologia para mulheres? 

Não tenho nem palavras para descrever a sensação de desgosto quando escuto comentários e conversas desrespeitosas e não posso retrucar, ou vou acabar criando uma guerra no meu ambiente de trabalho. É bastante triste.

Além disso, o tempo todos somos pegas de surpresa com comentários e conversas machistas. E a justificativa de todos é que “se estamos em uma empresa onde a maioria é homem, temos que saber lidar”. O famoso “você que se mude”. Acho isso horrível.

Amigas desenvolvedoras que o digam! São as que mais sofrem. E isso é algo que começa desde o início do curso. Posso dizer que cansa bastante e parece um senso comum, pelo menos entre amigas que converso e algumas reportagens que leio na Internet.

Acho que é realmente um desafio. Como ainda é vista como “trabalho de homem”, a todo momento somos testadas e temos que provar qualquer vírgula. O tempo todo.

O que diria para meninas em relação a seguir carreira em tecnologia?

Hoje os cursos relacionados com tecnologia, e no geral na área de Exatas, são os mais abandonados pelas meninas. Não é fácil, em nenhum sentido. Mas se este é um sonho, temos que nos manter firmes e fortes. Não tem pessoa NO MUNDO que mereça uma desistência nossa. Continuem a nadar!

Diria para as meninas não desistirem. Jamais!

O que há e/ou houve em sua trajetória que considera especial e que gostaria de compartilhar com as meninas para encantá-las?

Embora hoje ainda não utilize na prática todos os conceitos que aprendi, o curso todo em si foi de grande valia, pois me ajudou a enxergar e a entender muitas atitudes com outros olhos. Além disso, me ajuda, mesmo que indiretamente, a argumentar e a ter força de opinião em quase qualquer discussão em que eu me envolva.Por isso, meninas, não parem nunca de estudar. Se temos ainda como melhorar, então vamos!

Meu curso de pós-graduação foi bastante especial para mim. E decisivo para concorrer a algumas vagas de trabalho.

Mais algum comentário?

Vamos continuar maravilhosas e cada vez melhores no que fazemos.

Ainda tenho esperança de que seremos respeitadas por nossas escolhas e completamente livres para trabalhar em paz.

Continuem, manas! Já que temos que provar tudo o tempo todo, vamos provar que tecnologia NÃO É “coisa de homem”. Isso não existe, em carreira alguma!