Envolva-se, invista, estude, busque informação, ajuda e não desista. Entrevista com Claudia Braga

Estou maravilhada com a oportunidade de conhecer tantas mulheres que fizeram uma trajetória fantástica e se apoderaram de suas vidas para construir um caminho único em suas carreiras na área de tecnologia.

A chance de conhecê-las e promover suas histórias tem sido uma viagem indescritível para mim.

É incontestável que nossas meninas têm em seu país mulheres que são modelos inspiradores.

Neste artigo vocês conhecerão um pouco mais o percurso de Claudia Braga Amaral, executiva com longa carreira na área de tecnologia, atualmente na Hewlett Packard Enterprise.

Quando nos encontramos, Claudia contou orgulhosa do projeto de “Girls in IT”, especialmente um grupo de meninas parte de um programa de Menor Aprendiz, existente HPE. Uma grande oportunidade criada para meninas vivenciarem o ambiente de uma empresa de tecnologia.

Questionada sobre o que diria para as meninas em relação a seguir carreira em tecnologia Claudia menciona: “ A primeira coisa que eu recomendo é que conheça e vá saber mais sobre as possibilidades da área. Se puder, buscar experiências que lhe permita vivenciar um pouco do que pode ser esse universo. Ver como tudo isso ecoa em você. Se há empatia.  Se sentir que há, evolva-se, invista, estude, busque informação, ajuda e não desista. Ter uma profissão que lhe permita lidar com as suas escolhas é algo extremamente empoderador, e a tecnologia permite isso.” 

Buscar informação e ajuda é chave. Aqui penso ser importante informar as nossas jovens leitoras que um caminho, entre outros, para orientar-se bem é escolher um mentor ou mentora. Mentoria é  um processo no qual o jovem é orientado quanto ao seu desenvolvimento de carreira por um profissional mais experiente que compartilha seus conhecimentos acerca do mercado de trabalho.

Que tal você escolher agora seu mentor, sua mentora? Enquanto pensa, se encante e se inspire lendo a fantástica entrevista da Claudia. Aproveite!

  • Qual é sua Formação Acadêmica?

Graduação em Análise de Sistemas, PUC de Campinas e MBA, Business School Sao Paulo.

  • Porque escolheu uma carreira na área técnica? Teve influência da família?

Na época foi bastante simples, praticamente uma equação matemática. Aos 14 anos fiz um teste vocacional no colégio que demonstrou minha vocação para exatas. Na mesma época participei de uma palestra sobre profissões que apresentou TI como uma das mais promissoras carreiras para os próximos anos, a chamada “profissão do futuro”. Naquele momento estava decidido para mim que seria esta minha escolha para futura profissão. Foi basicamente uma equação: habilidade com exatas + profissão do futuro.
Porém, antes de prestar o vestibular, me matriculei em um curso de Cobol, em Santos, com aulas no período da noite. Esta etapa foi importante para saber como funcionava a área e se eu realmente gostaria dela. Até então eu havia estudado apenas em colégio de freiras e no curso de Cobol me deparei com uma  sala apenas de homens, na maioria, trabalhadores do porto de Santos, todos investindo na profissão do futuro. Mas optei por não me abstrair do ambiente estranho para mim naquele momento. Por fim, eu adorei o curso, fui a melhor aluna da sala e fiquei 100% segura da minha decisão, que a minha carreira seria na área de tecnologia.

  • O que a fez se interessar pela área de tecnologia?

Eu sempre quis ser independente. Eu buscava ter uma carreira que me permitisse crescer e ter uma situação econômica que me proporcionasse tranquilidade. Por isso, desde os 14 anos eu já trabalhava para construir meu futuro profissional. Minha decisão foi totalmente baseada na equação que eu apresentei na pergunta 2, pois eu tinha habilidade para a àrea e ela poderia me dar a ascenção profissional que eu desejava, ou seja, ela combinava com meu sonho.

  • Na sua visão, qual é o lado positivo de ter carreira em tecnologia?

Estar conectado com tudo que é o novo e potencialmente transformador para a sociedade, para o mundo.
É uma área muito ampla, que fornece um mundo de possibilidades. Atualmente quase todas as áreas e profissões possuem interface com tecnologia. Ela está em todo lugar.
Sou grata por ter escolhido tecnologia.

 

  • Na sua visão, qual é o lado negativo ter carreira em tecnologia?

A menos que você não goste de dinamismo e de se sentir desafiado todos os dias com a mudança, com a transformação, não há lado negativo.

  • Como é a carreira em tecnologia para mulheres?

Sem dúvida, ainda estamos diante de um universo predominantemente masculino e levará tempo a mudar.
Eu nunca me atentei muito para a questão de gênero aplicada à minha rotina de trabalho. Eu conheci ótimas profissionais, fortes e competentes, ainda que poucas, que atuavam em tecnologia e, por isso, nunca pensei que o fato de eu ser mulher seria um entrave em minha carreira, como de fato não foi.
Fazendo uma retrospectiva, eu posso dizer que eu tive todas as oportunidades que eu quis e mereci.
O fato da Tecnologia trazer tantas e inúmeras possibilidades de atuação traz consigo flexibilidade e oportunidades para os diferentes perfis de mulher e momentos de vida. Há áreas de trabalho que exigem muito a presença física e longas jornadas mas há outras com horários flexíveis, trabalho remoto, que resolvem a maior parte dos problemas que algumas mulheres enfrentam em alguma fase de sua vida.
No todo, é uma carreira que exige criatividade, resiliência, liderança, inovação e mais uma lista de habilidades normalmente muito presentes nas mulheres. Logo, pode ser muito atraente e gratificante.

  • Algum fato curioso de sua carreira que gostaria de compartilhar?

Tive oportunidade de viver e trabalhar em projetos em países e culturas diferentes.
Há muitos anos, participei com meu cliente numa avaliação de duas operações fabris com prejuízo na Tunisia, um país islâmico, com uma cultura muito diferente da nossa. O processo envolveu uma visita de 10 dias para fazer um levantamento com o time local. Eu estava acompanhada de vários executivos homens que tinham suas perguntas respondidas enquanto as minhas apenas eram ignoradas. Ninguém  sequer olhava para mim. Foi bastante pesado para mim naquele momento, mas eu precisei me adaptar para concluir o trabalho. Ao final, eu consegui interagir com as mulheres da unidade que por sua vez não falavam com ninguém, e muito menos com os homens, e assim concluímos o trabalho da melhor forma, usando a diversidade a nosso favor.