Você pode imaginar uma carreira de 44 anos e ainda estar super motivada? Entrevista com Heloísa Tricate

Muitos dias se passaram desde meu último artigo. Mas aqui estou de volta após merecido descanso em 10 dias de férias, curtindo o Rio de Janeiro pré Olimpíadas e depois de semanas intensas no trabalho em período de lançamento de uma campanha de marketing estratégica para a Empresa.

Confesso que estou em um momento de carreira onde sinto-me bastante orgulhosa. Mais para frente comento as razões.

Enfim … sentada no aeroporto hoje aguardando meu voo, começo a leitura da Revista Claudia, do Grupo Abril, edição Agosto de 2016(Sim! Amo ler revistas femininas) e me deparo com uma entrevista na sessão “Inspiração Gente” realizada pela jornalista Clara Novaes com a americana Teresa Carlson, atual vice-presidente da Amazon Web Services(AWS), empresa de serviços de tecnologia.

Teresa, assim como eu, tem um desafio pessoal: estimular meninas a entrar no universo da tecnologia. Na entrevista ela comenta: “garotas não costumam ser incentivadas a gostar de matemática e ciências. Então tento mostrar às jovens que trabalhar com tecnologia pode ser excelente para elas, já que é um setor flexível, cheio de oportunidades, além de bastante rentável. A chance de melhorar a vida financeira é muito empoderadora!”.

Nos artigos que escrevi anteriormente, também ressaltei muito os aspectos mencionados por Teresa Carlson sobre a carreira na área de tecnologia, porque acredito que são perspectivas que quando divulgadas intensamente, certamente podem atrair mais as meninas.

Longevidade é outra característica positiva da carreira de tecnologia. A área dá muito espaço para que tenhamos uma vida profissional longa, sempre repleta de aprendizado.

Vejam o meu exemplo. Como falei inicialmente, estou vivenciando um momento de carreira no qual sinto-me extremamente realizada, motivada e orgulhosa. E estou na faixa dos 50 anos, com mais de 25 anos de carreira! Explico:  esse ano recebi o desafio de mudança de área de atuação em marketing, tendo que sair totalmente de minha zona de conforto. Fui à luta, inicialmente a contragosto, mas cheia de energia, e rapidamente abracei os novos e enormes desafios.

Passado o primeiro semestre do ano, é muito compensador ver o reconhecimento de colegas, parceiros de trabalho, clientes e do mercado, do quanto tenho inovado na minha nova área de atuação. Recentemente, liderei a criação, planejamento e execução de uma campanha de marketing extremamente completa e moderna, composta de um estudo de inteligência de mercado bastante profundo, e utilizando as mais variadas táticas como: marketing digital, incluindo o uso do waze, passando por táticas mais antigas mas ainda efetivas como marketing direto, e incluindo também eventos físicos e virtuais com ativação de parceiros de nosso ecossistema em diversas cidades brasileiras. Uma campanha completa, que exigiu muito estudo e atualização de minha parte.

Essa é a realidade da área de tecnologia: mesmo após muitos anos de carreira, pode-se auto inventar e aprender diversas coisas novas.

Então, longevidade é uma característica muito positiva e atrativa da carreira.  Para ilustrar ainda mais minha linha de pensamento , fiz uma entrevista com uma profissional que admiro muitíssimo, Heloisa Tricade, que atua na área há 44  anos. Destaco a afirmação que mais me impactou na entrevista com Heloisa: “Trabalhar com tecnologia permite que aos 67 anos eu converse com um adolescente sem me sentir obsoleta.”

Ai vai a entrevista completa:

  • Heloisa, qual é sua formação acadêmica?

Engenheira Mecânica, formada pela Universidade Federal Fluminense, com pós-graduação em análise de sistemas, ministrado pela Universidade Católica de Petrópolis, Rio de Janeiro.

  • Porque escolheu uma carreira na área técnica?

Sempre tive mais facilidade com as matérias da área de exatas. Por outro lado, meu pai era engenheiro mecânico e queria que seu filho primogênito, e único homem, também fosse engenheiro. Todavia, meu irmão gostava de música e odiava matemática. Então, eu achei que deveria realizar o sonho do meu pai e decidi cursar engenharia mecânica.
Entrei na faculdade em janeiro de 1967, uma época em que no Brasil poucas mulheres cursavam engenharia. Para se ter ideia, éramos apenas cinco mulheres: duas na civil; duas na elétrica; e eu na mecânica.

  • O que a fez se interessar pela área de tecnologia da informação?

Terminei a faculdade em dezembro de 1971, iria me casar em julho de 1972 e me mudar do Rio de Janeiro para São Paulo. Por isso, decidi vir procurar emprego em São Paulo. Naquela época me deparei com dois grandes processos seletivo para estagiários: na COSIPA – Cia. Siderúrgica Paulista e no SERPRO – Serviço Federal de Processamento de Dados. O pré-requisito para a COSIPA era engenheiros recém formados e para o SERPRO, como ainda não existiam no Brasil curso superior para área de processamento de dados, o pré-requisito era recém formados na área de exatas (basicamente engenharia, física e matemática). Os salários iniciais das duas empresas eram semelhantes. Os dois processos correram paralelamente e consistiram de vários testes, dinâmicas de grupo e entrevistas. Parecia um novo vestibular, em cada uma das empresas tinha cerca de mil candidatos para 20 vagas.
Passei nos dois processos seletivos e precisei fazer uma escolha. Na COSIPA, eu iria trabalhar em Piaçaguera (distante cerca de 76Km de São Paulo) em uma usina siderúrgica. No SERPRO, eu trabalharia em um escritório no centro de São Paulo (com ar-condicionado) e faria seis meses de curso para me tornar uma Analista de Sistemas, que confesso, não tinha a menor ideia do que seria. Decidi pelo novo:  eu estava interessada em saber como funcionava os tais “cérebros eletrônicos”. Foi a decisão mais acertada que tomei na vida.

  • Na sua visão, qual é o lado positivo de ter carreira em tecnologia?

O lado positivo sem dúvida é a velocidade da mudança; o que obriga um contínuo aprendizado. Trabalhar com tecnologia permite que aos 67 anos eu converse com um adolescente sem me sentir obsoleta.

  • Como é a carreira em tecnologia para mulheres?

Acredito que é uma carreira idêntica a dos homens. Não consigo ver diferença.

  • O que a incentiva, motiva a continuar trabalhando depois de sua aposentadoria?

Conviver com pessoas inteligentes, conhecer novas pessoas e novas tecnologias, almoçar com amigos, viajar, ter um excelente plano de saúde e ainda receber um salário todo mês!!!

  • O que diria para meninas em relação a seguir carreira em tecnologia?

Se você não gosta da rotina, esta é a carreira ideal.

  • Algum fato curioso de sua carreira que gostaria de compartilhar?

Muita coisa aconteceu ao longo desses 44 anos. Mas vivenciar as mudanças tecnológicas foi o mais interessante, imaginem que o computador que eu comecei a trabalhar (um IBM System/360) tinha 500 KB de RAM e 30MB de disco, ocupava uma sala de mais de 250 m2 e precisava de um gerador exclusivo para funcionar. Hoje, os recursos de qualquer smartphone tem uma capacidade de processamento muito superior.

 

É isso ai meninas! Inspirem-se. Siga-me em @MarshallCecilia